Orientações para os papais que optaram pelo parto natural humanizado

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Empoderamento dos Pais para o Parto Humanizado

Diego Mendes e Marise Botti que esperam o Vinícius frequentam um Grupo de Apoio ao Parto em Maringá – Pr. Ele escreveu ao grupo virtual sobre como é para um pai se empoderar para acompanhar o nascimento de um filho. Empoderar está relacionado a tomar o poder, a tomar as rédeas da situação. Isso pode ser difícil muitas vezes para alguns pais.
Vamos ler o que ele tem a dizer:

Resolvi escrever no grupo sobre uma questão que tem me sensibilizado. O encorajamento a participação paterna no parto humanizado.

Quando soubemos da gravidez de nosso primeiro filho, Vinícius (que está com 9 meses de vida uterina, aguardando alguns poucos dias para nascer), decidimos logo pelo parto natural humanizado. Foi, aliás, com o pessoal do Roda Maternarti e a Renata, que obtivemos informações e todo o apoio para o parto. No início da gestação meu apoio ao parto humanizado era incondicional, mas confesso que não desejava participar. Tinha muitos “receios”: medo de desmaiar no parto (tenho certo medo da imagem de algo que envolva sangue, “dor” e tudo mais que atravessa o imaginário do ambiente hospitalar), ouvia de outros homens que a imagem de um parto normal poderia afetar meu desejo sexual, entre outros. Me assustava a ideia de que eu deveria participar ou cortar o cordão umbilical. Esses rituais as vezes passam a ser uma imposição, uma espécie de “prova de machesa”. Claro, também ouvia sobre os preconceitos que rondam o parto natural e humanizado. Além disso, imagino que poucos sejam os homens em nossa sociedade que tenham sido preparados de alguma maneira para tal evento. A criação dos homens passa longe de qualquer sensibilidade ao parto, afinal, trata-se de um evento historicamente feminino e atualmente médico-hospitalar (infelizmente). 

Mas ao longo da gravidez fui me vendo cada vez mais envolvido nessa história. Eu e minha esposa estudamos e assistimos a inúmeros vídeos de partos. Aos poucos, fui me tornando outro, já não temia o parto, ao contrário, hoje, aos nove meses de gestação, não me vejo em outro lugar que não ao lado de minha esposa e meu filho no momento de seu nascimento. Desejo ser o primeiro a segurá-lo nos braços, junto de minha esposa. Dar o primeiro banho. Enfim acredito que esse é um momento familiar e único e não apenas uma intervenção médico-hospitalar. Posso dizer que superei boa parte das minhas limitações pessoais e os preconceitos que envolvem a participação do pai no parto.

Contudo, ao passo que me tornava mais consciente e mais forte em fazer parte do nascimento de meu filho, fui me deparando cada vez mais com discursos (por vezes muito sutis) de desencorajamento. Em consultas médicas, ouvi de obstetras, pediatras, enfermeiras, até da secretária do hospital a pergunta se eu participaria do parto. Ao responder que sim, tudo o que ouvi foram frases do tipo: “Mas não vai desmaiar, heim?”; “Os pais sempre dão trabalho na hora do parto, tem que estar preparado, viu!”; “As vezes os pais ajudam mais estando do lado de fora”. Além de nos depararmos com todo tipo de desculpas por parte dos profissionais da saúde para proibir a participação do pai na sala de parto – a despeito da legislação existente que garante um acompanhante de escolha da mãe no momento do parto em ambientes hospitalares.

Enfim, àqueles que apoiam e desejam o parto humanizado, precisamos não apenas encorajar as mães a fazer essa escolha de modo consciente e confiante em tudo aquilo que um parto humanizado pode representar para elas e seus filhos, mas os pais também precisam ser encorajados. A nossa história recente não apenas se empenhou em fazer as mulheres desacreditarem de suas capacidades de realizar partos naturais, os homens também foram expropriados de viverem esse momento com segurança. Isto não apenas afeta aos homens de nossos tempos, mas acredito ser mais um mecanismo sutil de enfraquecimento do parto humanizado, afinal sem a presença dos parceiros e a convivência com seus receios, muitas mulheres também ficam afetadas em sua confiança.

Desculpem por ter me alongado demais!
E força aos pais!

Muita força aos pais!!!

Marilia Mercer
Doula em Londrina – Pr
Coordenadora do Grupo GestaLondrina
 
 
Fonte:
http://www.euqueropartonormal.com.br/eqpn/empoderamento-dos-pais-para-o-parto-humanizado/parto-14

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Sobre Radhazen

Educador, historiador e fotógrafo, me envolvi com o tema da paternidade e da primeira infância quando experienciei o preparo e a emoção do parto natural humanizado em 2012. Desde então, não deixei mais o tema, me propus a ler e participar das rodas de discussão mantendo-me informado sobre as mais novas descobertas desse lindo e mágico universo que não é só feminino, hoje, com a maior participação do progenitor masculino, também do pai. Por isso resolvi criar esse espaço de divulgação e compartilhamento de ideias para papais de primeira e outras viagens. Como bem sabemos, não existem muitos espaços destinados exclusivamente a nós homens, papais que muitas vezes nos mantemos distanciados de nossas companheiras e mesmo de nossos filhos por falta de informação e sensibilização para a fase mais importantes dos pequenos... que é a primeira idade, ou seja, os anos iniciais de formação física, emocional e espiritual de nossas filhas e filhos.

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