Lá do Alto a Providência

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Lá do Alto a Providência

Tantas cidades, tantas histórias, crueldades e superação, onde há vida, há superação, beleza, amor, solidariedade, não só brutalidade como muitos dizem… que somos um projeto de Deus mau acabado ou que não deu certo, há controvérsias!

Em algum lugar nessa cidade, quente, afável, amorosa, cruel num pontinho que é um ponto entre vários na América do Sul na latitude 22º e 54′ e Longitude 334º e 53′ vivem mais uma entre tantas histórias de super heróis, sem dramas, mas com muita doçura, Joel, seus filhos e filhas mais a sua brava companheira Chica, todos descendentes dos bravos quilombolas de Valença localizada na Latitude 22º 14′ 44” e Longitude 43º 42′ 01”  que um dia se rebelaram contra aqueles que os escravizavam.

A luta continua no tempo e no espaço, carregamos conosco no DNA ou na memória de nossa energia divina a herança daqueles que passaram por aqui, sonharam, guerrearam e amaram para poder viver e gerar a vida. E assim foi com Joel e seus “meninos” Ana, filha mais velha que já contava dezoito anos e seguia na “escadinha”, Pedro, Maria Lucia, Cristo José, Ester e Lucia. Do alto da Providência a promessa de independência meio a segregação da cidade “maravilhosa”, independência de fugir dos impostos, da ordem e da regulação dos governos que nunca estiveram presentes naquele pedacinho de terra.

Tudo mudou, nunca existiu o Estado, entrou em algum momento quando tudo no planeta mudava desde Woodstock, a demanda para aliviar a transição do mundo ou potencializar o talento artístico ou trazer recreação aos mais endinheirados.  Assim, se estabeleceu na vizinhança de Joel aqueles meninos que viu nascer e que por algum motivo se tornaram homens poderosos do seu lugar. Pouco a pouco foram substituindo, pais, mães, irmãos mais velhos, escola e Joel como tantos pais e mães pensavam: – O que fazer? há tão pouco, tanta escassez, abandono… aonde buscar? Estranhamente ouviu sons de flauta doce, enquanto pensava e contemplava a linda vista do alto da Providência numa noite em que as estrelas brilhavam de forma singular, inesperadamente Jesus, Pedro e Ana apareceram na pedra que forma um platô natural e Jesus pergunta a Joel:

– Pai que faz aí, tão só e pensativo? Enquanto isso aquela bela noite recebia o brilho intenso de fogos de artifício e dos sons que não eram estranhos a Joel e aos filhos e ele responde ao filho: – Estou aqui pensando o que fazer numa situação como essa! Essa qual? pergunta Jesus. Joel continua:

– Nada é o que parece, nada basta, o mundo invade a nossa casa, a nossa vida, veja os sons das balas que não são doces e dos fogos de artifício que não anunciam festa, mas o infortúnio da crueldade da tropa que chega aqui tirando a vida de jovens e jovens que tiram a vida da tropa…

Ana intervém e diz:

– O mundo pai, pode ter chegado aqui no alto desse morro, onde a nossa gente em algum momento buscou refúgio fugindo da crueldade dos mais poderosos, mas não conseguiu invadir os nossos corações. Joel olha contemplativo para aquela linda paisagem misturada as luzes das munições, avista o porto, a baía e a maresia que é trazida pelo vento e comenta:

– Pedro, Jesus e Ana em épocas de crise olhem sempre para trás, o que fizemos, é claro que devemos estar atentos ao devir, mas ver o que fizemos de onde viemos, assim será possível dar a direção correta.

– Transformar as nossas vidas através dos gestos, palavras e ações, através de um lápis e um pedaço de papel de pão. Tudo se multiplica hoje e amanhã e porque não no ontem! os erros que se tornam acertos hoje e a total transformação de uma existência inteira… somos parte dessa providência, terra e de todas as coisas é o nosso nome e já está escrito no nosso lugar o que somos e o que devemos ser.

Referência:

Esse é um trecho do conto que integra a coletânea “Pai de Kabul” de Renato Oliveira que discute a situação de pais que vivem em zonas de conflito.

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Sobre Radhazen

Educador, historiador e fotógrafo, me envolvi com o tema da paternidade e da primeira infância quando experienciei o preparo e a emoção do parto natural humanizado em 2012. Desde então, não deixei mais o tema, me propus a ler e participar das rodas de discussão mantendo-me informado sobre as mais novas descobertas desse lindo e mágico universo que não é só feminino, hoje, com a maior participação do progenitor masculino, também do pai. Por isso resolvi criar esse espaço de divulgação e compartilhamento de ideias para papais de primeira e outras viagens. Como bem sabemos, não existem muitos espaços destinados exclusivamente a nós homens, papais que muitas vezes nos mantemos distanciados de nossas companheiras e mesmo de nossos filhos por falta de informação e sensibilização para a fase mais importantes dos pequenos... que é a primeira idade, ou seja, os anos iniciais de formação física, emocional e espiritual de nossas filhas e filhos.

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